O episódio protagonizado pelo candidato a governador de Goiás Osvaldo Pereira deixa claro, para quem quiser ver, como é a prática política no país. Não me refiro às declarações dadas por ele de que “é o dono do PSL” ou de que queria “um milhão e trezentos mil reais pelo horário político do partido que ele comprou”.
Essas, apesar de emporcalharem ainda mais a política, e de deixarem atônitos os milhares de eleitores do país, na minha opinião são menos graves do que as que vieram a seguir. Pior foi empáfia que ele ostentou ao dizer: “Continuo candidato a governador. Nunca roubei nada de ninguém.” Mas ele disse isso porque tem a certeza de que não será punido. O procurador regional eleitoral, Helio Telho, foi muito claro ao dizer: "Venda de horário eleitoral não é crime. Houve apenas um desvio de finalidade, e a punição prevista é a suspensão do horário eleitoral gratuito daquele partido".
E assim foi feito. Mas e se os planos de Osvaldo Pereira tivessem dado certo?
E se Ernane de Paula não fosse quem é (e aí o leitor entenda como quiser), e não tivesse preparado o flagrante? Aí, não é preciso imaginação. Aconteceria o que acontece em todas as eleições. Partidos pequenos fazendo barganha em troca de dinheiro ou de cargos. Essa é a política que conhecemos. Mas o que esperar de uma reforma política feita por políticos?
Seria o mesmo que uma reforma do sistema de segurança penitenciária feita por bandidos.
Não dá para levar a sério. E aí me pergunto: se nem a reforma política resolverá o problema, qual a solução? A solução é a mudança da mentalidade da população.
É o fim do pensamento hipócrita, do querer se dar bem à custa dos outros.
Afinal, se você critica os políticos, lembre-se: ele é o seu representante, é a pessoa que você indicou para fazer o que você faria se estivesse lá.
Portanto, sinto muito, mas a responsabilidade é toda sua! |